sexta-feira, 24 de outubro de 2008

QUE SE FODA A ELOÁ

Apresentadora (sic) Sônia Abraão em um raro momento de lazer

Há um bom tempo, eu decidi que pretendia me tornar jornalista. É uma carreira difícil pra quem não pega a mulher do outro âncora, não tem um sobrenome com 3 consoantes seguidas e nem narrou a Bíblia (há rumores de que as primeiras edições eram autografadas pelo Cid Moreira). Morre-se de fome nessa profissão, mas o jovem idealista (leia-se "idiota manipulável) que vos escreve pensa ter talento para se assegurar por dois ou três dias. Vai depender do tempo que levar para ser despedido do estágio.

Mas o que quer perguntar hoje é: quando foi que o jornalismo nacional virou essa merda? Se a função da categoria era informar, como é que passamos uma semana inteira de crise internacional só falando em um sequestro seguido de assassinato? Mas tudo bem. Quem se importa com o fato de que daqui a algumas (poucas) semanas o quilo do feijão vai custar seu peso em ouro, se nós temos o novo facínora do semestre! E o melhor: inegavelmente culpado, pobre terrivelmente idiota! O cara se dispôs a aparecer na janela na frente da polícia! Não fossem as câmeras por lá, a história teria durado algumas dezenas de horas a menos.

E mesmo assim, ainda somos obrigados a acompanhar as "novidades" do caso, tal qual foi o caso Isabella no começo do ano. É entrevista com o assassino, com o pai do assassino, com a família da refém idiota que voltou ao cativeiro... E agora me vem uma pergunta: quem se importa com eles? O assassino deveria ter sido morto enquanto ainda era sequestrador, mas estando no Brasil, é claro que os direitos humanos inteviriam, não é? "Não podemos deixar que um trabalhador seja morto". DESDE QUANDO SEQUESTRADOR É TRABALHADOR, PORRA! Não vou nem comentar quanto à relevância dos outros.

A verdade é que crimes passionais irritam o brasileiro porque eles não acabam como na novela. Não tem mocinho aparecendo na última hora para salvar a Mariana Ximenes do vilão malvado e canastrão. Só tem o assassino, a vítima e algumas balas quentes e rápidas. Sem edição, sem direção, maquiagem ou ensaio: é tudo um terrível improviso.

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